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Brasil

Código genético de vírus de dois brasileiros com coronavírus é diferente

Mesma equipe sequenciou material de duas amostras detectadas nos pacientes e fez comparação. Análise sugere que já ocorre transmissão interna do vírus na Europa.

02/03/2020 21h22
Por: Admin
Fonte: Carolina Dantas, G1
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O código genético do vírus detectado no primeiro paciente com o Sars-Cov-2 no Brasil é diferente do que foi encontrado no segundo brasileiro com a doença confirmada. O trabalho também foi divulgado em 48 horas, mesmo tempo que demorou para a publicação dos dados do primeiro caso confirmado, na última sexta-feira (28).

O trabalho tem sido conduzido pelo Centro Conjunto Brasil-Reino Unido para Descoberta, Diagnóstico, Genômica e Epidemiologia de Arbovírus (CADDE), coordenado pela diretora do Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo, Ester Sabino, e pelo cientista Nuno Faria, da Universidade Oxford. A pesquisa é financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de S. Paulo (Fapesp).

 
Vista do Aeroporto Internacional de Cumbica em Guarulhos (SP), nesta sexta-feira (28). Alguns passageiros e funcionários usam máscaras após a confirmação de um caso de coronavírus no Brasil. — Foto: RONALDO BARRETO/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDOVista do Aeroporto Internacional de Cumbica em Guarulhos (SP), nesta sexta-feira (28). Alguns passageiros e funcionários usam máscaras após a confirmação de um caso de coronavírus no Brasil. — Foto: RONALDO BARRETO/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Vista do Aeroporto Internacional de Cumbica em Guarulhos (SP), nesta sexta-feira (28). Alguns passageiros e funcionários usam máscaras após a confirmação de um caso de coronavírus no Brasil. — Foto: RONALDO BARRETO/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Sabino explica que o primeiro vírus isolado se parece mais com o que foi sequenciado na Alemanha, com duas mutações similares. Já o segundo brasileiro infectado tem o coronavírus mais parecido com o detectado na Inglaterra.

 

"Ambos são diferentes das sequências chinesas. Isso sugere que a epidemia está ficando madura na Europa, ou seja, está ocorrendo transmissão interna entre países", disse Sabino.

 

Se todos os pacientes existentes na Europa tivessem vindo da China diretamente, a sequência genética do vírus seria mais parecida com a encontrada em Wuhan e na província de Hubei, de acordo com os pesquisadores. A cientista brasileira lembra, no entanto, que a mutação de um vírus é uma coisa natural. O sequenciamento e a comparação servem para traçar um panorama e um possível caminho das infecções.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Cientista que sequenciou código genético do coronavírus explica como foi feita a pesquisa

Nuno Faria, pesquisador parceiro de Sabino, participou do sequenciamento do vírus da zika no Brasil há quase 5 anos. Ele viajou em um micro-ônibus pelo Nordeste coletando amostras e explica que, em comparação com o vírus que atingiu o país em 2016, o sequenciamento do coronavírus é mais simples.

"Os conhecimentos do zika eram mais iniciantes. Em 2016, começamos a desenvolver as ferramentas. Agora nós temos mais experiência", disse.

 

"O vírus da zika tinha uma carga viral mais baixa. Era mais difícil detectar o RNA viral no zika. A janela da oportunidade era bem mais curta, porque podíamos sequenciar de dois a três dias após o início dos sintomas e muitas vezes as amostras não eram coletadas".

De acordo com o pesquisador, desde maio de 2015, foram 500 genomas do zika sequenciados. No caso do Sars-CoV-2, desde janeiro já foram 150.

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