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21/11/2018 ás 12h42 - atualizada em 21/11/2018 ás 13h42

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Cerveja de mandioca beneficia agricultores no Nordeste
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Cerveja de mandioca beneficia agricultores no Nordeste
Ambev compra diretamente dos produtores de Araripina a matéria prima utilizada na bebida vendida apenas em Pernambuco. A família de Vilmar Carvalho (ao centro) comemora os ganhos com a venda direta

Por Edilson Vieira Repórter de Economia do JC / Foto: Rafael Martins/Divulgação Ambev

ARARIPINA (PE) – Vilmar da Silva Carvalho, 58 anos, anda com firmeza pela plantação de mandioca de 80 hectares que mantém na Serra da Torre, no município de Araripina, a 680 km do Recife. Com agilidade, o agricultor arranca da terra a raiz que é motivo de alegria. “Costumo dizer que eu tenho três mães. A do Céu, que é Nossa Senhora; a da terra, que me trouxe ao mundo e esta daqui, que deu minha riqueza, é a mãedioca”, sorri.

A satisfação com o trocadilho tem explicação. Seu Vilmar comemora a boa safra possibilitada pelo inverno, que aumentou a produção em torno de 30%. Celebra também o novo mercado que se abriu a partir deste ano. A família de seu Vilmar, junto com outras cinco da região do Araripe, foi escolhida pela cervejaria Ambev para fornecer a mandioca que compõe a receita de sua nova bebida: a cerveja Nossa. Lançada há dois meses, ela é produzida em Itapissuma, Região Metropolitana do Recife, com receita exclusiva que leva amido em sua composição. O amido vem das mandiocas plantadas por pequenos agricultores do Araripe.

“Antes, toda nossa produção de mandioca era para fazer farinha ou goma de tapioca. Mas produzir farinha é caro porque gasta muita energia elétrica e água”, diz Gilmar Carvalho, filho de seu Vilmar. Ele diz que a família acabava na mão do atravessador, que pagava “o quanto queria” pela raiz. “Abaixo de R$ 150 a tonelada não compensa nem produzir”, diz ele, explicando que o preço do produto varia muito ao longo do ano, podendo cair muito ou passar dos R$ 350 a tonelada, dependendo da oferta e da procura. Com a entrada de um comprador de grande porte, como a Ambev, os produtores têm o preço garantido para aquela safra, o que acaba gerando lucros maiores.
MANDIOCA

Quem também fez as contas foi Silvano Moraes Coelho. Filho e neto de agricultores, ele havia escolhido outro destino. Lecionou geografia por dez anos em escolas públicas de Araripina. Mas há dois anos, largou a sala de aula e decidiu mapear as possibilidades da Serra do Inácio, já quase na divisa com o Piauí. A altitude de 860 metros acima do nível do mar é boa para a mandioca, ensina Silvano, mostrando que não esqueceu as lições de geografia. “Comecei a cuidar da roça de 50 hectares de mandioca junto com meus irmãos e primos. Em junho, vendi 150 toneladas para a Ambev. Agregou valor e deu moral ao nosso produto”, diz Silvano, que já planeja ampliar a área plantada para 100 ou 120 hectares no próximo ano, caso o inverno seja tão bom quanto foi em 2018.

O engenheiro agrônomo da Ambev, Vitor Pistoia, explica que desde o início, a ideia era ter um novo produto que tivesse a ver com a cultura local. “Há dois anos, pensamos em produzir uma cerveja que fosse feita em Pernambuco, para ser vendida apenas no Estado e com um viés social.” Vitor, que é gaúcho, visitou várias vezes a região do Araripe em busca dessas famílias. “Usamos como critério para a seleção dos agricultores os que mantêm boas práticas de manejo do solo, preservação do meio ambiente e sintonia com o compliance da Ambev”, diz. Apesar de não revelar números de produção ou mesmo de investimentos, Vitor Pistoia garante que o projeto ainda está em fase inicial e tem bastante espaço para crescer. Até o fim do ano, a expectativa é de que a cerveja pernambucana esteja disponível em 10 mil pontos de venda no Estado.

A chegada da Ambev em Araripina fez a roda da economia girar. Uma fábrica de fécula de mandioca foi contratada pela Ambev para produzir o amido usado na cerveja. A empresa estava praticamente parada desde a sua inauguração, há seis anos. Uma seca que durou todo esse período fez a produção cair, inviabilizando o investimento de R$ 30 milhões. “Hoje estamos processando 200 toneladas de mandioca por dia, mas temos capacidade para processar até 600 toneladas”, afirma Cristiano Coelho, gerente da Amido Maxx, que emprega 25 pessoas e compra a raiz por R$ 250 a tonelada.

 

Feita com mandioca de agricultores locais de Pernambuco, a bebida será comercializada apenas na região fabricante por R$ 3,00 a garrafa retornável de 600ml e R$ 1,29 a de 300ml. Inspirada na técnica da SABMiller Africa, a cerveja Nossa tem a mandioca como um dos seus principais ingredientes para complementar com a cevada.

FONTE: alexandre

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