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27/04/2018 ás 20h58 - atualizada em 27/04/2018 ás 21h58

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Rondônnia / RO

Brasileira inocente passa 9 meses na prisão na Itália acusada de tráfico de drogas
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Brasileira inocente passa 9 meses na prisão na Itália acusada de tráfico de drogas

cusada de tráfico internacional de drogas, a brasileira Elaine Araújo Silva esteve nove meses detida e outros três meses em prisão domiciliar na Itália, antes de conseguir comprovar a sua inocência.




Nove anos depois da sentença de absolvição, ela ainda sofre com crises de depressão e ataques de pânico, doenças que tiveram início durante o período de reclusão e que a obrigaram a deixar o emprego.




"Depois da prisão passei a ter medo mesmo em situações normais de vida cotidiana. Até hoje preciso de acompanhamento farmacológico e psiquiátrico", diz em entrevista à BBC Brasil a recifense de 42 anos.




A depressão a impediu até mesmo de solicitar o ressarcimento previsto pelo Estado italiano em casos de prisão injusta.




"Elaine estava devastada psicologicamente. Mesmo tendo sido aconselhada a solicitar a reparação por injusta detenção, ela só queria esquecer toda aquela história. Não podíamos agir sem o seu consenso", conta à BBC Brasil o advogado da brasileira, Piero Venture.




O valor atual previsto pela lei italiana para esta indenização é de 235,82 euros por cada dia de reclusão e 177,91 euros para cada dia de prisão domiciliar consideradas injustas.




"Se tivesse feito a solicitação dentro do prazo de dois anos após o trânsito em julgado da sentença de absolvição, muito provavelmente ela teria recebido esta indenização", afirma Venture.




 



Tormento



 







 

'Depois da prisão passei a ter medo mesmo em situações normais de vida cotidiana', diz recifense presa e depois inocentada na Itália (Foto: Arquivo pessoal)'Depois da prisão passei a ter medo mesmo em situações normais de vida cotidiana', diz recifense presa e depois inocentada na Itália (Foto: Arquivo pessoal)



'Depois da prisão passei a ter medo mesmo em situações normais de vida cotidiana', diz recifense presa e depois inocentada na Itália (Foto: Arquivo pessoal)



O tormento de Elaine teve início em 7 de junho de 2008, após uma noite normal de trabalho como garçonete em uma discoteca na cidade de Rimini.




"Cheguei em casa por volta das 3h da manhã. Tentei abrir a porta, mas ela estava fechada por dentro. Antes que eu tocasse a campainha, um rapaz que eu nunca vira me abriu a porta. Entrei e fui diretamente ao quarto da mãe da amiga com a qual eu morava, para perguntar quem era aquele homem. Ela me respondeu que era um amigo da filha e então fui dormir."




No dia seguinte, Elaine foi acordada por policiais armados. Confusa, vestiu-se às pressas e foi acompanhada até a sala onde estavam a amiga, a mãe dela, e o rapaz que lhe abrira a porta, todos cidadãos dominicanos. A brasileira soube, então, que o jovem chegara da Espanha no dia anterior, trazendo cápsulas de cocaína no estômago. De acordo com os policiais, no momento da blitz a droga estava à vista, em cima da mesa.




Mesmo assustada, Elaine acreditava que conseguiria demonstrar a sua inocência rapidamente. Ela morava na Itália havia quase dez anos, trabalhava legalmente, tinha amigos e estava para se casar com um atleta turco, com o qual havia passado seis meses em Istambul e com quem iria viver nos Estados Unidos. Um dia antes da prisão, o namorado de Elaine, proprietário de uma rede de academia de artes marciais, viajara a trabalho para a Califórnia.




 



Prisão



 




Elaine foi levada para a delegacia junto com a mãe da amiga, uma senhora idosa que estava na Itália para passar uns dias com a filha, enquanto os outros dois acusados foram acompanhados em outra viatura.



 



"A pressão psicológica dos policiais era enorme. As acusações e os termos usados por eles me deixaram desesperada. Assinei papéis sem mesmo tê-los lido, confiando que isso me ajudaria a ir embora. Ao mesmo tempo, eu tentava consolar a mãe da minha amiga, dizendo que era tudo um mal entendido e que logo seríamos liberadas".



"Os policiais me deixaram fazer uma ligação, ma só tive tempo para dizer ao meu namorado que eu estava presa", conta Elaine.




No mesmo dia, Elaine e a idosa dominicana foram transferidas para o cárcere de Forli. "Não pude acreditar quando vi abrirem-se os portões da penitenciária."




"Disseram-nos que se tratava de uma investigação internacional e que não seríamos liberadas até prenderem todos os membros da quadrilha", conta.




"Quando nos trancaram numa cela com outras prisioneiras comecei a passar mal porque tenho dificuldades em estar em lugares fechados."




Os amigos de Elaine contrataram um advogado para defendê-la, mas durante a audiência de custódia o juiz confirmou a prisão preventiva da brasileira, que em casos de tráfico de entorpecentes - cuja pena prevista é de 6 a 20 anos de reclusão - pode durar até um ano.




Com o passar dos dias, além de ter suportado "na marra" a sua claustrofobia, Elaine pediu ajuda também ao Consulado brasileiro.




"Escrevi várias cartas contando a minha situação e explicando que eu não estava bem de saúde. Recebi uma única resposta, onde diziam que o Consulado não poderia intervir em questões da Justiça italiana e, para me ajudar, mandaram-me selos para que eu enviasse cartas ao Brasil. Seria menos humilhante não ter recebido resposta alguma", diz.




Na prisão, Elaine sentia-se constantemente ameaçada. "Durante todo aquele período fui torturada psicologicamente pelas detentas por declarar-me inocente. Quando eu passava pelo corredores elas gritavam, me ameaçavam, me chamavam de 'bellina'. E quando viam que eu era tratada com respeito pelas agentes penitenciárias tornavam-se ainda mais agressivas".




"Mas o pior era durante a noite, quando algumas detentas liberavam o gás de um pequeno botijão que tínhamos na cela para fazer café, para se entorpecerem. Todas as manhãs eu acordava com dores de cabeça e náuseas".




Outros momentos difíceis eram os dias de visita. "Todas as terças e sextas-feiras eu me arrumava, esperava, e não aparecia ninguém", diz emocionada.






FONTE: BBC

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